Nosso curso de formação do “coxinha esclarecido” fez sucesso

CURSO PARA O COXINHA ESCLARECIDO

por Luiz Carlos Azenha, no Facebook do Viomundo, com revisão que implicou em acréscimos e ajustes

Agora que você conseguiu derrubar uma presidente da República com premissas e argumentos falsos, é hora de sofisticar sua capacidade de debate.

Não seja confundido com um mero seguidor do intelectual pornô Alexandre Frota. Pega mal na turma.

Você certamente é muito mais sofisticado que isso.

Provavelmente você é admirador dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, do Estado Mínimo, escrito assim em maiúsculas para denotar a centralidade deste item na pauta neoliberal.

Nunca confunda uma coisa com outra. Por mais que a Miriam Leitão sugira isso, os Estados Unidos não são um Estado Mínimo.

Palavra de quem morou lá duas décadas e tem duas filhas novaiorquinas (na verdade, de tripla nacionalidade, dentre as quais preferem a brasileira), com direito a tirar proveito do estado de bem estar social dos Estados Unidos.

Você costuma confundir estado de bem estar social com comunismo (como em Bolsa Família, médicos cubanos, etc.). Nos Estados Unidos, ele é resultado do anticomunismo.

Preste atenção: quem implantou o estado de bem estar social nos Estados Unidos foi o presidente Roosevelt. O país vinha do crash econômico de 1929. Depressão econômica. Os sindicatos eram fortes.

Para cooptar os sindicatos e evitar a ascensão dos comunistas, Roosevelt resolveu implantar programas sociais e salvar o capitalismo. Portanto, as coisas que ele bolou e implantou eram uma forma de combater o comunismo. Logo, anticomunistas.

Chamar o Roosevelt de comunista é tão absurdo quanto chamar o Lula ou a Dilma ou o PT de comunista. Eles são social democratas.

No Brasil, o partido que tem social e democratas no nome não é nem uma coisa, nem outra.

Voltemos aos Estados Unidos. Por mais que a partir daquele seu grande herói, o Reagan, os EUA tenham dilapidado o estado de bem estar social, os pilares deles subsistem: Social Security, Medicare, Medicaid e Food Stamps.

Pode chamar de Previdência Social, Bolsa Terceira Idade, Bolsa Plano de Saúde e Bolsa Família.

Essa ideia, de que o Estado deve ajudar a cuidar dos mais fodidos, é uma coisa antiga, que surgiu em outro país que você admira muito, a Alemanha. Mas não quero dar overload de informação no seu cérebro.

Basta você registrar isso: por causa dos programas sociais acima — e de outros fatos que apresentarei em seguida — os Estados Unidos não são um Estado Mínimo.

Pelo contrário, os EUA se assentam sobre um Megaestado, muito maior que o brasileiro.

Se você quer alguns exemplos de Estado Mínimo, eu os ofereço: México, Honduras e Paraguai, países que você certamente despreza e nunca utiliza como exemplo para reforçar seus argumentos.

Portanto, sempre que você falar em Estado Mínimo, esqueça os Estados Unidos e diga: “Devemos fazer como lá no Paraguai, que…”

Acrescente, em seguida, os argumentos pelos quais o Brasil deve seguir o mesmo caminho. A gente quer coxinhas sofisticados e intelectualmente honestos!

INTERVENCIONISMO ESTATAL

Caro amigo, você passou com louvor pela primeira aula. Para encarar a segunda, temos de voltar no tempo.

Vamos falar sobre intervencionismo estatal.

Anos 70. Você não tinha nascido. Eu estudava na Old Mill Senior High School, no condado de Glen Burnie, estado de Maryland. Fiz todas aquelas bobagens que você vê nos filmes de escola gringa, inclusive levar a linda Töve, estudante sueca, ao baile de formatura.

Meu pai americano era vendedor de seguros e trabalhava em Baltimore, cidade que visitei algumas vezes.

Os americanos, como a minha família, tinham se mudado em massa para loteamentos distantes, tipo Alphaville.

A indústria de base tinha abandonado o país em busca de salários mais baixos em outros lugares do mundo.

Sem a grana dos impostos, as áreas metropolitanas tinham entrado em decadência profunda: prédios abandonados, crime, tráfico de drogas.

É óbvio que você, que prega o Estado Mínimo, defenderia para este caso uma solução tocada pela mão invisível do mercado.

Se você condena o BNDES, bote um isordil sob a língua para encarar o que vou te contar.

Os governos americanos enfrentaram o problema despejando bilhões de dólares na recuperação dos centros urbanos, em dinheiro vivo ou deixando de cobrar impostos.

Funcionou mais ou menos assim: os governos reduziram os impostos para empresas que se instalassem em áreas degradadas.

Em alguns casos, exigiram que as empresas contratassem moradores locais.

Com salário garantido, os moradores financiavam apartamentos em prédios reformados com dinheiro público, tipo Minha Casa Minha Vida.

Que horror! Puro dirigismo estatal.

Baltimore ganhou um lindo shopping center bem na marina. Cleveland, Detroit… aconteceu o mesmo num grande número de cidades dos Estados Unidos.

Mais tarde, foi assim no Harlem e no Times Square, em Nova York.

Quando conheci o Harlem, em 1985, parecia um bairro recém bombardeado. Hoje você pode até ir àquela missa gospel recomendada pelos reaças do Manhattan Connection, também defensores do Estado Mínimo (para os outros).

E você que pensou que o intervencionismo estatal nos Estados Unidos fosse coisa da crise de 2008, quando o Obama salvou os bancos e a General Motors!

Portanto, quando você fizer o próximo selfie diante daquele teatro da rua 42, escreva na legenda: “Mamando nas tetas do Estado americano”.

O Lion King só passa lá por conta do intervencionismo estatal com dinheiro público.

MANIPULAÇÃO DO LIVRE MERCADO COM AJUDA BILIONÁRIA AOS MAIS RICOS

Chegamos ao último capítulo: manipulação do “livre mercado”, aquele pelo qual você tem uma admiração quase religiosa.

Sabemos que você abomina o Bolsa Família: distorce a livre competição por mão de obra no mercado de trabalho.

Note, no entanto, que este não é um “problema” exclusivamente brasileiro.

Na tão admirada América — é assim que você chama os Estados Unidos — o número de usuários da versão local do Bolsa Família, os Food Stamps, está próximo de 45 milhões de pessoas.

Sabe por que os Food Stamps sobrevivem na América? Não é apenas por causa da compaixão dos conservadores.

O programa é defendido pela indústria da alimentação! Há restrições ao que pode ser comprado com o cartão, que foca nos produtos da indústria local de alimentos processados. Assim, ela fatura uma enormidade com os pobres.

Portanto, quando o Lula falava que o Bolsa Família fazia girar o comércio e a indústria locais, não é que ele tinha razão?

Mas, na terra do suposto Estado Mínimo, os Food Stamps são um exemplo menor de como o dinheiro público ajuda os mais ricos.

Nem sempre beneficiando os mais pobres.

Você já pensou o que representam para a indústria farmacêutica as compras governamentais dos Estados Unidos?

Elas são tão importantes para os lucros das companhias que o Congresso, cedendo ao lobby das farmacêuticas, proibiu — em alguns casos — o governo de negociar diretamente com as empresas para baixar o preço das drogas oferecidas nos programas públicos.

O Estado Mínimo paga o Preço Máximo!

É uma baita distorção do Livre Mercado, que vai parar direto no bolso de companhia farmacêuticas trilionárias.

Como exemplo final, os subsídios da agricultura. Você sabia que a América gasta U$ 45 bi anuais para bancar o plantio de trigo, algodão, milho, soja e arroz?

Sabia que a grana fica principalmente com as grandes empresas do agribusiness, em vez de ajudar os agricultores mais pobres?

Você, que sempre protesta contra os subsídios da Lei Rouanet, deveria protestar contra o David Rockefeller: o bilionário levou meio milhão de dólares em subsídios agrícolas do Estado Mínimo!

Sabe as consequências do Bolsa Fazendeiro?

Mais pobreza na África e na América Latina, cujo potencial exportador fica comprometido pelo derrame de dólares em larga escala na produção agrícola da América — os europeus, aliás, fazem igualzinho.

Portanto, em sua próxima viagem a Miami, não esqueça de reservar um dia para protestar. Junte os amigos pelo Facebook.

Sugestão de faixas, direto do Google Translator: “Food Stamps is a factory of floaters”, “Rockefeller suckle the government teats”, “Military intervention already”.

Nosso curso de formação do “coxinha esclarecido” fez sucesso – http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/nosso-curso-de-formacao-do-coxinha-esclarecido-fez-sucesso.html

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“Prévia do PIB” cai 5,5% em 12 meses. A crise é psicológica, Temer?

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Resultado pior do que o esperado, que já era ruim.

Queda de 4,91% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central na série sem ajuste e de 5,32% com ajuste, em maio.

Em 12 meses,  baixa de 5,43% no índice bruto  e recuo  de 5,51% no ajustado, naquele que é considerado uma “prévia do PIB”.

Nos 12 meses encerrados em dezembro passado, as quedas acumuladas foram de 4,08% e 4,11%, respectivamente.

O gráfico aí em cima é autoexplicativo.

Senão no mercado especulativo, não há qualquer sinal de recuperação da atividade econômica.

Todos os dados divulgados em relação a junho vieram em nova queda.

Não há qualquer política contra este ciclo que possa ser apontada como alavanca de mudança.

Política de juros que dispensa comentários; zero de investimentos públicos em infraestrutura; empresas capazes  de gerar atividade rápida e emprego intensivo, na área de construção civil virtualmente paralisadas. Mesmo nas dedicadas a obras imobiliárias, o dado divulgado hoje, de queda de 50% na venda de imóveis em São Paulo é mais do que demonstrativo da queda de atividade.

Outro dia, numa “brilhante” dissertação sobre economia, o presidente em exercício disse que a crise é “psicológica”.

Espera-se que Michel Temer tenha, então, a “clarividência” de observar que sair dela também tem este componente.

Mas, em economia, decisões têm a ver com rumos.

Venda de patrimônio agrega receita pública, não atividade econômica.

Arrocho nos aposentados e no salário mínimo, redução de gastos em educação e saúde geram alívio fiscal (e assim mesmo em alívio no “rombo”) mas não geram consumo, compras, produção, postos de trabalho.

Esperar que a melhoria das condições internacionais nos ajude é fazer uma oração ao imponderável.

O “Deus Mercado”, em geral, é diabólico.

Fonte: “Prévia do PIB” cai 5,5% em 12 meses. A crise é psicológica, Temer?

Feliz 2027, 10 anos após o fim da CLT

“Precários nos querem, rebeldes nos terão” (autor desconhecido).

Brasil, 2027. Já se passaram mais de dez anos desde que sepultamos precarizamos os direitos trabalhistas nesse país de tamanho continental e de graves desigualdades regionais. Estávamos absolutamente certos de que era o melhor a ser feito. Na época, a crise econômica era grave e não havia outra solução: o desemprego era grande e só aumentava, mês após mês, tampouco tínhamos qualquer expectativa de melhora. O “pato” chegou à conclusão de que a culpa de tudo isso era do direito do trabalho, da “velha CLT” e daquela “justiçazinha atrevida” que se dizia “especializada” e ousava se postar corajosamente em defesa dos chamados “direitos sociais”. Ah, é claro… havia uma Constituição rígida que dificultava a retirada desses direitos ditos “fundamentais”. Mas ela já não valia mais nada, era um sonho que nunca vingou, um espectro a nos iludir, um pedaço de papel que ninguém conhecia. Estava lá e não estava lá. Importava menos do que uma lei ordinária qualquer, muito menos do que um acordo coletivo. Nós dizíamos que a “liberdade” de contratação libertava o indivíduo e revelava a sua plena autonomia nas relações sociais e jurídicas. Acho que esse era o “espírito” da época. Na verdade, nem consigo lembrar direito como retiramos todo o direito do trabalho ou driblamos a Constituição Federal. Não sei se foi aos poucos, não sei se foi com uma ruptura abrupta ou se foi um golpe. Mas não importa. Conseguimos, enfim.

Mas algo deu errado. Nesse tempo, vimos surgir bancos sem bancários, hospitais sem médicos, escolas sem professores, companhias aéreas sem pilotos/comandantes, empresas sem empregados, fazendas sem trabalhadores rurais, Estado sem funcionalismo público. Após sucessivas reformas, acompanhamos inertes a Previdência Social ser reduzida ao mínimo existencial. A educação e a saúde pública foram privatizadas. O salário dos trabalhadores baixou a um nível indecente por conta da precarização sem limites. Crianças e adolescentes voltaram a trabalhar para complementar a renda da família. No campo, se trabalhava apenas por comida e teto. Os pobres se tornaram miseráveis, desfalecidos. Depois, assustados, vimos a classe média despencar para o fundo do abismo e o consumo de bens e serviços cair vertiginosamente. O emprego foi reduzido a nada.

Fizemos de tudo e a crise econômica não diminuiu, só aprofundou. Trabalhadores e pequenos empresários acabaram sendo triturados diante da investida do capitalismo selvagem do tipo “walmartismo”[1] praticado por grandes empresas multinacionais. A era da precarização tinha chegado ao fim. Iniciava-se outra.

Nesse período, o aparato policial do Estado aumentou assustadoramente, a segurança privada ganhou espaço significativo, milícias foram legalizadas, leis penais mais rígidas foram aprovadas no Congresso, processos criminais ganharam prioridade de julgamento, o devido processo legal foi mitigado, advogados perseguidos, prisões foram construídas e privatizadas e o controle social da população se tornou necessário para impedir a desordem e garantir o progresso do país. Vigilância em nossas ruas e avenidas, drones, policiais-robôs. Ainda assim, aplaudíamos.

Apesar de tudo isso, a violência continuou a aumentar significativamente: furtos, roubos, contravenções, drogas, intolerância, atentados, revoltas, tumultos, crimes cibernéticos. A situação era caótica nas cidades e no campo. Tudo parecia estar fora de controle. O desespero tomava conta da sociedade, pois não havia crescimento econômico, a crise se agravava e grande parte da população brasileira passava fome como outrora. Então, quando festejamos a retirada completa de direitos fundamentais as reformas trabalhistas pensando que avançaríamos, na verdade, acabamos retrocedendo mais de um século em nossas relações sociais. Nesse contexto desesperador, outro espectro há muito desaparecido rondava o Brasil de 2027. E ele parecia incontrolável.

Foi aí que começamos a indagar: “onde erramos?”

Átila Da Rold Roesler é juiz do trabalho na 4ª Região e membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD).

[1] A expressão é de Pietro Basso, utilizada no artigo “O walmartismo no trabalho no início do século XXI”. Revista Margem Esquerda n. 18, Boitempo Editorial, 2012, p. 25.

Fonte: Justificando.com

Cunha e Temer vão dormir tranquilos com Rodrigo Maia. Por José Cássio

"Eu ajudei a eleger Eduardo Cunha", gaba-se Maia

“Eu ajudei a eleger Eduardo Cunha”, gaba-se Maia

 A se considerar duas (reforma da Previdência e Pré-sal) das prioridades elencadas por Rodrigo Maia os conservadores não vão se decepcionar.

Eduardo Cunha também pode dormir tranquilo, pois nem o mais otimista acredita que o presidente eleito da Câmara dos deputados será um obstáculo na sua tentativa de salvar o mandato e a própria pele.

 “Ajudei a eleger o Eduardo Cunha”, foi logo avisando Rodrigo Maia na sua primeira entrevista como presidente eleito. “No plenário, é possível que ele tenha sido o melhor presidente que já tivemos”.

De fato, para alguém que não preza a democracia Eduardo Cunha foi brilhante ao conseguir a proeza de caçar 54 milhões de votos mesmo estando à beira da prisão.

O show de horrores que comandou na sessão histórica de 17 de abril, quando a Câmara aprovou o impeachment de Dilma, é para o jovem deputado do DEM um exemplo notável de competência e um referencial histórico para o parlamento brasileiro.

Não por acaso Rodrigo Maia era um dos preferidos do interino Michel Temer para comandar a Câmara neste mandato tampão.

Sobre medidas impopulares, obsessão de Temer por ser a fatura que o setor produtivo lhe cobra pelo apoio ao golpe, já adiantou que também estão entre as suas prioridades.

“Estamos aqui para votar o que é urgente”, anunciou Rodrigo antes mesmo de ser perguntado. “Algumas matérias podem ser impopulares no curto prazo, mas, com elas, o Brasil pode estar melhor daqui a cinco anos”.

É batata que entre as tais medidas impopulares esteja a revisão da forma de reajuste do salário-mínimo – com base na inflação do ano anterior e no crescimento (PIB) de dois anos antes, o que normalmente garante um aumento acima da inflação.

Outro clássico defendido por Temer e que tem apoio do próprio DEM e do PSDB – Fernando Henrique disse isso publicamente – é o fim das despesas obrigatórias para saúde e educação, além de cortes nos programas de distribuição de renda, para não dizer da famigerada jornada de 80 horas semanais e da terceirização do trabalho.

Rodrigo Maia, como se pode observar, de jovem tem o rosto – no mais, é o típico caso de brasileiros bem nascidos que ascenderam na vida pública na base do “paitrocínio” e que estão aí para defender os interesses das chamadas classes dominantes.

Com 26 anos, indicado pelo pai, Cesar Maia, sem nenhuma experiência ganhou seu primeiro cargo importante: secretario de Governo de Luiz Paulo Conde na prefeitura do Rio de Janeiro.

Aos 28, foi eleito deputado, reelegendo-se sucessivamente em 2002, 2006, 2010 e 2014.

Entre seus bons amigos em Brasília estão Cássio Cunha Lima, filho do paraibano Ronaldo Cunha Lima, e Aécio Neves, neto do ex-governador de Minas Tancredo Neves. Coincidentemente, todos à sombra da trajetória pública de seus familiares.

Levando em conta a tradição, e o retrospecto, a Câmara, sob Rodrigo, tem tudo para continuar o que sempre foi: um espaço de troca de favores e defesa de interesses de pequenos grupos em detrimento da maioria.

Do jeitinho que Temer e Cunha sempre sonharam.

Fonte: Cunha e Temer vão dormir tranquilos com Rodrigo Maia. Por José Cássio

Já passou da hora de o PT entender que não é mais o gigante da esquerda que foi um dia

Brasília - Entrevista com o Deputado Marcelo Castro, que fala sobre a sua candidatura a Presidência da Câmara dos Deputados (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Entrevista com o Deputado Marcelo Castro, sobre a sua candidatura a Presidência da Câmara dos Deputados (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

por Carlos Eduardo, editor do Cafezinho

O crítico de cinema e fundador do portal Cinema em Cena, Pablo Villaça, publicou nesta terça-feira (12) um artigo sobre a polêmica do PT e PCdoB não fecharem com o Psol e outros partidos de esquerda, como PDT e PSB, uma candidatura única pela presidência da Câmara. Uma candidatura genuinamente de esquerda.

Villaça toca em alguns temas interessantes que ficaram de fora da minha análise no artigo Opinião: PT, PCdoB e Psol deveriam se unir em torno de uma única candidatura de esquerda.

De fato o Psol é um partido de difícil trato. A política é a arte da negociação e o Psol faz aquele gênero de esquerda “cabeça dura”, digamos assim, que se recusa a negociar com outros partidos de centro e centro-direita, tudo para manter sua posição. O problema é que na maioria das vezes o partido se comporta “do jeito que a direita ama”. Aquela esquerda que nunca chega a lugar nenhum.

A meu ver um pouco de pragmatismo não faz mal a ninguém.

No entanto, o ponto defendido por muitos na esquerda — incluídos este humilde editor e Pablo Villaça — é que apoiar um candidato do PMDB depois de tudo o que aconteceu é um atestado de ignorância dos petistas. O que garante que Marcelo Castro será um presidente melhor do que Cunha foi para a Dilma, caso esta retorne ao poder após a decisão do Senado? Nada!

Além do mais, suponhamos que Dilma retorne à presidência e Castro seja eleito para presidir a Câmara. Alguma coisa irá mudar no Congresso? Alguém acredita que a oposição não fará de tudo para prejudicar os trabalhos da casa como já vinha fazendo antes do golpe? Dilma pode simplesmente governar os próximos dois anos por meio de medidas provisórias e danem-se o deputados — como fez, por exemplo, FHC, campeão em governar à margem do Congresso Nacional, com intermináveis decretos e MPs.

O ponto central é que este seria o momento propício para essa esquerda diluída e espalhada por PT, PCdoB, Psol, PDT, PSB e, até mesmo a Rede, mostrar que é capaz de se unir em prol de uma mesma candidatura com força suficiente para ir ao segundo turno e vencer a oposição golpista.

Como diz Villaça, uma candidatura forte de esquerda forçaria os golpistas a escancarar ainda mais sua face golpista. Infelizmente, não foi desta vez.

Segue abaixo artigo de Pablo Villaça.

***

por Pablo Villaça, no Facebook

Aguardando para fazer uma tomografia retiniana, leio a notícia de que o PT havia decidido lançar Maria do Rosário como candidata à presidência da Câmara, enquanto o PCdoB fizera o mesmo com Orlando Silva. Isto dois dias depois de o PSOL confirmar que Erundina concorreria.

Acho que quem precisa de avaliar a visão não sou eu, mas a esquerda. Aliás, os líderes dos partidos poderiam aproveitar para fazer uma tomografia no cérebro também.

Será que não aprenderam NADA? Mesmo depois do colapso completo que testemunhamos nos últimos meses?

Só há um motivo para a direita não ter conseguido destruir a esquerda completamente no Brasil: falta de liderança. Eles não têm um nome sequer capaz de cimentar a posição do grupo e servir como foco estratégico. O que a direita tem é um “cada um por si e Cunha por todos” – e não é à toa que Temer, o Pequeno, vem manobrando para salvar o mandato do amigo (lembrem-se do que Jucá, BRAÇO DIREITO de Temer, o Pequeno, disse; “Temer é Cunha e Cunha é Temer”). A estratégia, agora, é adiar ao máximo a votação da cassação de Cunha no plenário e de eleger alguém apoiado por ele para a presidência da Câmara: Rogério Rosso.

Mas como a direita é o que é, em vez de apoiarem Rosso, os deputados acabaram conseguindo a proeza de lançar mais QUINZE candidaturas.

E o que a esquerda faz para aproveitar a pulverização dos votos do outro lado?

Exatamente: decide pulverizá-los também do lado de cá.

Erundina é um nome histórico da esquerda. Uma mulher que SEMPRE manteve coerência absoluta em suas posições, criticando os próprios partidos aos quais pertencia quando estes abandonavam seus princípios. Fez isso com o PT e com o PSB quando este decidiu apoiar Aécio. Foi Erundina (ao lado de Moema Gramacho, do PT) quem ocupou a cadeira de Cunha num protesto belíssimo quando este se encontrava no auge do poder.

Apoiá-la não deveria exigir nem um segundo de discussão.

Mas, claro, o PT não aprende. Primeiro, um grupo dentro do partido defendeu apoiar RODRIGO FUCKING MAIA – um cara que lutou ardorosamente pelo impeachment. Agora, derrotados (e com a candidatura de Rosário retirada), estes deputados apoiam Marcelo Castro. Tudo bem, Castro foi ministro de Dilma e votou contra o impeachment.

MAS É DO PMDB E DISSE, ONTEM, QUE O GOVERNO TEMER NÃO PRECISA SE PREOCUPAR COM ELE.

Será que a esquerda QUER ser relegada ao esquecimento?

Eu tenho mil ressalvas ao PSOL. Acho Luciana Genro uma líder absolutamente desastrosa (e cheguei a esta conclusão mesmo depois de ter considerado votar nela em 2014, como falei aqui na época). Genro não tem visão estratégica e já demonstrou que não se importaria em ver a esquerda toda se ferrando caso isso aumentasse sua influência e a do PSOL.

Mas não há como negar que quadros gigantes do PSOL sempre correram para defender a esquerda quando esta precisou: Jean Wyllys, Erundina, Chico Alencar, Ivan Valente, Freixo. A fidelidade do PSOL à luta contra o golpe é mais exemplar do que a de MUITOS quadros do PT.

Além do mais, Erundina é Erundina.

Ela teria chance de vencer? Provavelmente não. Mas se apoiada em bloco pela esquerda poderia no mínimo obrigar Temer, o Pequeno, a escancarar mais ainda seu apoio a Rosso. Além do mais, foi o pragmatismo, esse pensamento de “ah, mas não teríamos chance”, que nos trouxe até aqui.

Já passou da hora de o PT entender que já não é o gigante da esquerda que foi um dia e que precisa desesperadamente de fechar questão com os outros partidos do lado de cá.

Ou faz isso ou afundará com todos eles.

Pablo Villaça é um crítico cinematográfico brasileiro e editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil.

Fonte: Já passou da hora de o PT entender que não é mais o gigante da esquerda que foi um dia – O Cafezinho

A quem serve a Petrobras: ao Brasil ou ao mercado financeiro?

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Charge: Vitor Teixeira

Qual é o problema com a dívida da companhia, se ela é compatível com o seu faturamento? A resposta vem de regra do mercado de capitais, cujo objetivo é maximizar o lucro e distribuir dividendos para os acionistas

por Cláudio da Costa Oliveira*

Os petroleiros cunharam a frase, quase um grito em defesa da empresa, que diz: “DEFENDER A PETROBRAS É DEFENDER O BRASIL.”  

A frase é verdadeira para a Petrobras que existiu até 2014, quando tínhamos uma empresa “pelo Brasil”. A partir de 2014, com a anuência do governo Dilma, foi iniciada a construção de uma empresa “pelo mercado”.

Aproveitando a constatação de corrupção dentro da empresa, levantada pela operação Lava Jato, que expôs e enfraqueceu a imagem da Petrobras junto à opinião pública, iniciou-se uma campanha sistemática por parte da mídia, com informações falaciosas de que a empresa estaria quebrada, com uma dívida impagável e problemas de caixa, sem que a direção da companhia viesse em sua defesa, demonstrando as inverdades que estavam sendo divulgadas.

Na verdade, a direção da Petrobras, volto a dizer, com a anuência do governo Dilma, tinha todo o interesse de que a imagem da empresa ficasse assim distorcida, frente à opinião pública e até mesmo dos funcionários da companhia (inclusive gerentes), para os quais nunca foram divulgadas informações verdadeiras e de contestação.

Assim, com esta imagem de empresa indutora de corrupção e economicamente inviável, ficavam justificadas as mudanças radicais de uma empresa “pelo Brasil” para uma empresa “pelo mercado”

Na realidade, a Petrobras registrou lucro ininterruptamente de 1991 até 2013. Em 2014 e 2015, foram feitos ajustes contábeis altamente contestados e sem nenhum efeito no caixa empresa, que provocaram a apresentação de prejuízos.

Em 2015, ajustes totalmente injustificáveis levaram a empresa ao pior resultado de sua história, um prejuízo de R$ 34 bilhões.

Em consequência, 2 dos 5 membros do conselho fiscal da Petrobras não aprovaram e não assinaram o balanço de 2015. Nós mesmos fizemos uma denúncia à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre estes ajustes feitos no balanço de 2015. A CVM acatou nossa denúncia e abriu um processo administrativo contra a Petrobras, que tem o número SP-2016-182, e é público, podendo ser visualizado no site da CVM. O processo está em andamento.

A dívida da companhia, afetada pela variação cambial, no final de 2015 tinha o valor de R$ 500 bilhões (hoje já é bem menor). Mas esta dívida é plenamente compatível com o faturamento da empresa, que é de R$ 400 bilhões por ano. Portanto, a relação dívida/faturamento (500/400) é de 1,25.

Se entramos no site da Caixa Econômica Federal, fazendo uma simulação, verificamos que com uma renda anual de R$ 100 mil, a Caixa nos concede um empréstimo de mais de R$ 200 mil. Ou seja a relação dívida/renda superior a 2.

Mas, então, qual é o problema com a dívida da Petrobras? A resposta vem da regra existente em Wall Street, de que uma empresa não pode ter uma dívida superior a 2 vezes a sua geração de caixa anual, pois o objetivo é maximizar o lucro e a distribuição de dividendos para o acionistas.

Mas como atender esta regra de Wall Street se nós temos um pré-sal para desenvolver, com investimentos com prazo de maturação de mais de 10 anos?  Como fazer isto sem assumir mais empréstimos?

A solução é simples para os entreguistas: façam um programa de desinvestimentos e, se isto não for suficiente, basta entregar o pré-sal para exploração das petroleiras estrangeiras.

Acima de tudo as regras de Wall Street devem ser seguidas, caso contrário, vocês não terão mais o “grau de investimento” (1).

Na recente transferência do comando da Petrobras, o ex-presidente Bendine informou estar entregando uma empresa com um caixa de R$ 100 bilhões. No câmbio atual, o caixa se aproxima de US$ 30 bilhões. Trata-se do maior volume de recursos em caixa da história da companhia, suficiente para cobrir suas necessidades até o final de 2017. Que empresa “quebrada” é esta?

O novo presidente Pedro Parente já informou em entrevista : “A Petrobras terá liberdade para fixar os preços dos combustíveis”.

Como pode uma empresa que detém praticamente o monopólio na distribuição de combustíveis no Brasil ter liberdade para fixar os preços?

Significa dizer que nunca mais no Brasil os preços dos combustíveis serão inferiores aos praticados no mercado internacional, como ocorreu no período de 2011 a 2014, quando tínhamos uma Petrobras “pelo Brasil” subsidiando os preços praticados internamente e irritando Wall Street, que viam seus dividendos sendo transferidos para o consumidor brasileiro. O efeito disto foi a queda nos preços das ações da Petrobras.

Agora com Pedro Parente vai ser diferente, os preços no mercado interno vão ser estabelecidos no limite para não permitir a entrada de concorrência. Morta a concorrência, Pedro Parente poderá estabelecer o preço que bem entender, e então veremos a transferência dos recursos do consumidor brasileiro, para o pagamento de dividendos em Wall Street.

Portanto podemos concluir que: ESTÁ TUDO ERRADO!

Mais do que nunca se mostra necessária a existência de uma Petrobras 100% estatal, fora do mercado de capitais. Não é possível atender ao mesmo tempo dois senhores com interesses tão diversos.

Durante o Império, a economia brasileira se desenvolveu por “ciclos”. No “ciclo do ouro”, vimos o ouro brasileiro ser transferido para a Europa, ficando em Minas Gerais apenas os buracos.

Hoje, com o pré-sal, também corremos o risco de ficar apenas com os buracos, só que agora bem mais profundos.

Notas

(1) Não deixem de ver o documentário “Trabalho interno”, que recebeu o Oscar de melhor documentário em 2011 e mostra muito bem como funcionam as empresas de “rating”. Procurem no Google.

Lembrem-se de que a Petrobras criada em 1954, só veio a obter grau de investimento em 2007. Portanto, a empresa cresceu, descobriu o petróleo no pós-sal de Campos e descobriu o pré-sal sem nunca ter sido agraciada com o tal “grau de investimento”.

*Cláudio da Costa Oliveira é economista aposentado da Petrobras

Este artigo foi publicado originalmente no Diálogo Petroleiro, um projeto entre o Brasil Debate e o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF)

Não deixe de ler os artigos do nosso colunista Tadeu Porto, diretor do Sindipetro-NF

Fonte: A quem serve a Petrobras: ao Brasil ou ao mercado financeiro?

Já deu bom dia para o faxineiro hoje? – O texto que viralizou nas redes sociais

Hoje nasce meu filho.

Mas antes de vocês conhecerem o Murilo. Precisam me conhecer.

Então vou contar um pedacinho da minha história adulta. Só um pedacinho pra não tomar muito seu tempo.

Ano: 2001.

Chuva de balas do auge da guerra CV x ADA.

Eu, 17 para 18 anos. Preto, favelado, pobre. Raivoso feito um cão magro de rua. Teimoso, teimoso e teimoso.

Segundo grau completo em escola pública com um ano de antecedência, mas claro, nunca passaria num vestibular pra faculdade pública.

Sem dinheiro, sem emprego.

Duas saídas: escolha fácil, o tráfico de drogas! Direto, rápido, poder batendo na porta. Dinheiro sobrando pra esbanjar. Tava ali, era só querer.

Ou escolha difícil: projeto social do Governo do Estado para jovens de comunidades carentes. Ser Aux. de Serviços Gerais. Literalmente: faxineiro de órgão público.

Escolha difícil: virei faxineiro do hospital da Polícia Militar.

Enfermaria A. Varria, limpava e lavava todo o corredor, banheiros e todos os apts. No refeitório, só era permitido almoçar por último. Não iam misturar os faxineiros com os enfermeiros, médicos e policiais, né?

Sabe o que acontecia? Nunca sobrava carnes. A gente tinha que comer ovo, todos os dias. Ovo frito.

Quer ouvir uma coisa triste? Eu achava que estava bom. Que era suficiente. Era o que eu merecia. Tinha um salário.

Consegui comprar um tênis legal. Ajudava minha mãe nas contas de casa. Estava ótimo.

Aí… a polícia invadiu minha casa.

Seja inocente, trabalhador, honesto. Foda-se.

A regra quem faz não é você. Sua mãe no chão, seu sobrinho no chão, tiro de fuzil na sua porta.

De novo, escolha fácil: tráfico, vingança, chapa quente, guerra contras aqueles filhos da puta.

Escolha difícil: conseguir um trabalho, ganhar mais e sair do morro.

Claro, escolha difícil: fui juntar dinheiro pra entrar na faculdade. Mãe foi fazer mais e mais plantões pra ajudar a pagar.

Comprei um guia do estudante, li tudo. Teimoso, quis fazer Publicidade.

Me disseram: pobre publicitário? Hahahaha…

Quis ser redator. Me dei conta: aos 22, só tinha lido 3 livros em toda a vida. Hahahahah.

6 meses de faculdade. Não consigo mais pagar.

Escolha fácil: desiste moleque.

Escolhe difícil: desiste moleque.

Ok, sem escolhas.

Mas não dizem que sempre tem escolha?

Dizem… hahahahahahah…

Sou teimoso, se é o que eles querem eu não faço.

Bora ser preto, suspeito na rua, dura da polícia toda semana, segurança de loja mandando abrir a mochila, porta de banco travando.

Mas vão se fuder que vou vencer honesto.

Meritocracia é a puta que pariu.

Oportunidade pra todos é a puta que pariu.

Não existe, chapa, tudo utopia.

Mas pobre não tem nada a perder. “Se você não tem saída, vença!” Foi o que eu fiz.

Fim do primeiro ato.

2016.

Eu, 33 anos. Preto, casa de dois andares, carro. Viagem pra NY. Redator de uma das maiores agências de publicidade do mundo. Leão em Cannes. Em print. Categoria foda. Mais de 200 livros lidos. Tatuaram uma frase minha na pele.

O publicitário Felipe Silva
O publicitário Felipe Silva

Projeto humano com mais de 1500 kits mensais para moradores de rua. Construí uma casa pra minha mãe.

E hoje, vejo nas timelines que só se entra no crime porque quer.

Que a oportunidade está aí. Que é só querer.

Que é só se esforçar. Que meritocracia funciona.

Que bolsa família faz o pobre não trabalhar.

Que ajuda do governo deixa pobre mal acostumado.

Que a polícia tem que invadir a favela e dar tiro.

Com toda serenidade e conhecimento que aprendi ao longo desse tempo, lhes digo: vão tomar no meio dos seus cu!

EU SOU O CARA DA FAXINA, rapaz.

Esse aí que tirou seu lixo hoje.

E esse país só vai melhorar quando você achar certo que que eu divida a mesa do trabalho com você. Que eu frequente o mesmo shopping, faça a mesma viagem, tenha o mesmo carro que você, vá a mesma faculdade que seu filho.

Quando você me der bom dia de verdade e não automático. E agradecer que eu limpei seu café derramado no chão. E ver que eu tenho nome.

Que eu sou gente.

Que eu tenho sonhos.

Que eu fiz escolhas difíceis pra caralho pra ser um faxineiro.

Que eu não quero comer ovo, porra.

Que eu não quero ser parado na rua porque sou preto.

Ser olhado feio porque sou pobre.

Antes de falar de preto, de pobre de favelado. Saibam: todos esses sou eu.

E te digo: viver no morro é uma merda. Ser pobre é uma bosta.

Por que escrevi tudo isso?

Porque hoje nasce o meu filho.

E, afinal, não era justo vocês conhecerem meu filho, se a maioria nem conhece direito o Felipe.

Mas hoje vocês vão poder saber porque eu vou olhar nos olhos dele com a certeza de que não arredei o pé da honestidade.

Não fiz concessões. Não dei um passo atrás. Não falsifiquei 1 porra de carteirinha de estudante sequer.

E fiz tudo isso só pra ele saber que é possível.

Só pra poder contar pra ele que é foda pra caralho, mas é possível.

E tudo isso feito só com motivos.

E que hoje, ele vai me dar uma razão.

*Felipe Silva é publicitário

Fonte: Já deu bom dia para o faxineiro hoje? – O texto que viralizou nas redes sociais