Joga o Lula na moldura de corrupto. Não colou, joga mais, mais, mais! Por Leticia Sallorenzo – TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

lakoff

George Lakoff

Leticia Sallorenzo é conhecida pelas boas e más línguas como “A Madrasta do Texto Ruim”,que fazia com mais frequência no Facebook e no blog “Objetivando Disponibilizar“, onde cai na pele de quem escreve mal (coisa a que todo mundo está sujeito, vez por outra) e pensa mal (algo bem mais vergonhoso). Mas a moça conhece muito de comunicação, do que fazem da comunicação e de criticar estes malfeitos com humor.

Portanto, como ela andou me roubando, confessadamente, um texto cheio de afagos  a Merval Pereira, roubo-lhe outro, que publicou no Facebook, o GGN republicou e o antenadíssimo mestre de jornalismo Nilson Lage recomendou.

E mais não escrevo, que Leticia já diz tudo e escrever demais na frente dela é  atividade de alto risco.

Tá tudo descrito por George Lakoff no livro The Political Mind, de 2008. (Joga no Google pra saber qual é a do Lakoff. Digo apenas que o cara manda muito. Os livros dele são divisores de águas para o estudo da linguística cognitiva, e ele fala de igual pra igual com a psicologia cognitiva.)

As pessoas assimilam histórias longas dividindo-as em pequenas histórias. Cada uma dessas pequenas histórias são clichês repletos de julgamentos de valor, e um campo semântico predeterminado.

Assim, entendemos a Branca de Neve como jovem pobre e indefesa, vítima de uma madrasta malvada. E entendemos o Capitão Nascimento como um policial violento e truculento que se vale de armas, coragem e valentia para ser um herói.

Nunca vamos associar o sintagma “jovem indefesa” ao Capitão Nascimento, nem “violência e truculência” à Branca de Neve.

A isto Lakoff chama de framing. A gente associa todas as ideias que cercam uma palavra a um fato/pessoa.

Ponto parágrafo.

A ideia é incutir o frame “ladrão corrupto” a (adivinha de quem eu tô falando? Dica: podemos considerá-lo primo do Dinofauro, tá parei).

O trabalho vem sendo feito desde 2006 (ok, me deixem, tô contando por alto), com a ideia do mensalão (uma palavra cuja composição morfológica repleta de significados lhe atribui um campo semântico poderoso).

Aí não colou nele.

Aí ele ficou forte.

Aí ele saiu da função com alta taxa de aprovação. E o framing de ladrão corrupto se enfraqueceu.

Aí ele elegeu sua sucessora.

Aí ele reelegeu sua sucessora, em meio a um trabalho forte de framing de ladrão/corrupto/chefe de quadrilha à imagem dele. E nada de grudR muito o framing.

Os cabra num engoliro a reeleição. E sabem que, quanto mais desconstruído, mais desmitificado, mais fraco ele fica. E tome de framing.

– Ah, ele tem um sítio não declarado! (Framing de corrupto). Mas o sítio num tava em nome dele, então a história meio que tava forçada (imaginem Capitão Nascimento com saia de frufru dançando balé. Fica difícil chamá-lo de valentão, né?). O framing não pegou EM QUEM RACIOCINA DIREITO.

– Ah, um barco de QUATRO MIL REAIS foii comprado pela mulher dele e entregue no sítio! Aí mais uma vez, framing de corrupto e ladrão entra melhor em quem tem iate, né? E esqueceu-se do barquinho de alumínio furreco.

– Ah, tem dois pedalinhos de CISNEY (pausa para risos), com o nome dos NETOS dele!!! E mais uma vez, o framing falhou. Tenho pra mim apenas que dona Marisa tem um mau gostodo caralho, mas corrupta e ladra ela não é, coitada. E deixou-se de lado os pedalinho, já que…. Tcharam….

– LEVARAM O CARA PARA DEPOOOOOOORRRRR!!! A POLÍCIA PRENDEU ELEEEEEEE!!!! UHUUUUU! . Aí ele saiu do depoimento aclamado. Geral dizendo q o aparato para pegar o cara ( 200 policiais armados até os dentes e com uniforme camuflado. Não sei vcs, mas eu consigo ouvir o Capitão Nascimento bradando “putaquepariu, caralho, pede pra sair zérodois!!!”) era por demais exagerado. Aí o cara deu (mais) uma (de suas) entrevista(s) mitológica(s) e ainda se autointitulou (ele não sabe, mas é ótimo em framings) jararaca. Tá foda emplacar o framing de ladrão corrupto, né?

– a moda agora é falar dos onze contêineres q ele “levou do Alvorada, cheio de coisa da presidência”, e VOILÀ! Temos um bom framing de ladrão de galinha.

O problema vai ser quando geral descobrir que o material foi separado pelo próprio staff do Alvorada, sob a ordem “quero levar o mínimo necessário. Aliás, deixem o máximo possível aqui”.

Enquanto isso, a plebe ignara vai acolhendo um framing fraco atrás do outro, e neles incute-se facilmente a ideia de que Lula (vcs já tinham sacado, né?) é ladrão, corrupto, bêbado e analfabeto (o único analfabeto com noções de trigonometria, mas deixa isso pra lá).

E George Lakoff, direto de Berkley, segue todo trabalhado naquele gatinho do “falo nada, só observo”…

Eu apenas chamo de volta à baila minha miga Onça Paçada.

onca_pacada

Fonte: Joga o Lula na moldura de corrupto. Não colou, joga mais, mais, mais! Por Leticia Sallorenzo – TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

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